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A função da psicoterapia não é te adaptar a ambientes disfuncionais para que você continue produzindo mais.

há 3 dias
2 min de leitura



"Ele era o tipo de profissional em quem todos confiavam.


Entregava. Resolvia. Assumia responsabilidades.


Quando estava cansado, trabalhava um pouco mais.


Quando estava irritado, dizia que era apenas uma fase.


Quando percebeu que não estava mais conseguindo desligar a cabeça depois do trabalho, procurou uma solução.


Queria aprender a controlar a ansiedade.


Uma técnica para relaxar antes de dormir.


Uma maneira de desacelerar depois de um dia difícil.


Alguma coisa que o ajudasse a voltar ao normal."


Essas ferramentas podem, de fato, ajudar.


O problema começa quando voltar ao normal significa apenas conseguir aguentar mais um pouco.


Porque talvez a pergunta não seja apenas:


“Como faço para lidar melhor com o estresse?”


Talvez seja:


“Por que eu funciono dessa maneira?”


"Por que dizer não parece tão difícil?"


"Por que descansar provoca culpa?"


"Por que parar parece irresponsabilidade?"


"Por que, mesmo quando ninguém está cobrando, você continua se cobrando?"


Essas perguntas levam a outro lugar.


O cansaço, a ansiedade ou a sensação de estar sempre no limite podem estar relacionados às circunstâncias atuais. Mas também podem se articular com padrões construídos ao longo da história: necessidade de provar valor, dificuldade de reconhecer limites, medo de decepcionar, exigência excessiva consigo mesmo ou a sensação de que só é possível se sentir seguro quando tudo está sob controle.


O objetivo da psicoterapia não é simplesmente aliviar o sintoma para que você volte a funcionar como antes.


É compreender como esse modo de funcionar se construiu, o que o sustenta hoje e o que ele tem produzido na sua vida.


A partir daí, os caminhos podem ser diferentes.


Às vezes, pequenas mudanças na maneira de lidar com a rotina fazem diferença.


Em outras situações, é preciso estabelecer limites, rever relações, fazer escolhas diferentes ou questionar condições que foram naturalizadas por tempo demais.


E algumas vezes a compreensão leva justamente a reconhecer que aquilo que parecia ser apenas “falta de equilíbrio” estava sinalizando algo mais profundo.


Psicoterapia não é um hack de produtividade.


Não deveria servir para ensinar você a suportar melhor aquilo que está fazendo mal.


Deveria ser um espaço em que você possa compreender o que está acontecendo — inclusive aquilo que, sozinho, talvez já tenha tentado resolver várias vezes.


Uma pergunta:


Você está tentando compreender o que está acontecendo com você — ou apenas procurando uma maneira de aguentar mais um pouco?



 
 
 

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